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A Prisão de Veludo

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A Prisão de Veludo

Mensagem por Halyme Ray em Dom 14 Dez 2014, 22:46

 Os postes de energia só serviam para lançar garras de sombras, pois somente a lua iluminava a rua fedorenta. O relógio barato marcava mais de quatro da manhã, todas as pessoas de respeito já estavam recolhidas em suas casas naquele horário, mas a figura de meia idade, com um sobretudo surrado e cabelos desgrenhados ainda caminhava em busca de um local para dormir. Um canto qualquer que não cheirasse tão mal e não fizesse tão frio.

 A procura se estendeu por mais alguns passos infinitos e vapor de ar que saía junto com a respiração do homem, mas finalmente ele encontrou uma velha construção que serviria como um palácio de sonhos para aquele fim de noite seco. Um pedaço de lona foi o que serviu de escudo contra o vento que insistia em invadir a alma daquele ser, foi desse modo, um pouco mais confortável, que ele tirou do bolso uma caixinha preta aparentemente sem importância, mas que carregava um poder sem limites.

 O homem já houvera sido, há muito, um garoto que se chamava Miguel. Depois da morte de seus pais precisou vagar pelas ruas, dar um jeito de sobreviver. Tornou-se esperto e perdeu sua identidade. Com toda a certeza não era má pessoa, mas não era assim que os outros viam, dessa maneira, o “vagabundo” tomou o lugar de Miguel.
 
 Foi com grande surpresa que Miguel recebeu a primeira gentileza após anos sobrevivendo à base de xingamento. Nem parecia que havia sido há algumas horas que antecederam àquela noite, do modo como estava cansado, parecia que uma vida inteira tinha acontecido desde a manhã em que recebeu a gentileza.

 O sol estava alto no céu quase sem nuvens, ele estava sentado em um banco de praça, lendo um jornal que havia sido jogado no lixo. Miguel se lembrava de ter lido algo sobre não haver qualquer registro de morte nos últimos dois dias, notícias loucas. Ele jogou o jornal de volta na lata de lixo, a mídia inventava cada coisa para vender jornal, pensou. Alguns segundos mais tarde, um senhor muito velho sentou ao seu lado, acendeu um cigarro e ofereceu-lhe outro: a primeira gentileza. Miguel pegou o cigarro e pôs-se a fumá-lo. O estranho perguntou-lhe o nome, a idade e se tinha família. Os dois jogaram conversa fora, até que o velho lançou um olhar profundo para Miguel e perguntou-lhe se era capaz de guardar um objeto em segredo. Tirou de dentro do bolso uma caixinha preta de veludo e exibiu-a.

- Eles estão atrás de mim – disse o velho em tom urgente -  querem essa caixa. Caso eles a consigam, haverá terríveis conseqüências para a humanidade. Eu estou velho, não conseguirei esconder-me por muito tempo, mas você conhece as ruas, pode manter a caixa fora do alcance deles.

- Quem são Eles? O que há dentro da caixa? – Questionou Miguel intrigado com a situação.

- Eles são meus velhos companheiros de crenças, não gostei do que eles fizeram, por isso roubei a caixa. Quanto ao que tem dentro, você não acreditaria se eu contasse. Apenas pegue-a e mantenha-a a salvo. Agora escute, você deve abrir esse objeto na hora mais escura, um pouco antes do amanhecer, nunca antes. – Falou o velho, pondo a caixa nas mãos de Miguel.

- E se eu falhar? – Miguel perguntou receoso, porém guardou a caixinha no bolso. Por alguma razão, ele sentia que deveria fazer o que o estranho estava pedindo.

- Aí a humanidade correrá grande perigo, meu caro. – Sentenciou o velho em uma voz rouca.

 O estranho misterioso se levantou do banco e desejou boa sorte a Miguel, entrou em um carro estacionado ali próximo e sumiu. Do outro lado da rua, dois homens observavam discretamente a cena. Assim que o velho se foi, eles caminharam na direção do portador da caixa, Miguel, porém, possuía instintos aguçados, fruto de anos vagando por lugares perigosos. Assim, quando percebeu os homens se aproximando, pôs-se a caminhar apressadamente rumo ao beco mais próximo, a aventura havia começado.

 Andando apressadamente, Miguel olhava para trás a todo momento, mas os homens o acompanhavam, sobreveio, então, a certeza de que estava sendo seguido. Ele calculou que os dois sujeitos eram fortes demais para um confronto direto, ele teria que usar a inteligência. Mais adiante, havia uma ruela formada por dois prédios, um de cada lado, que tinham escadas de emergência, Miguel seguiu para lá. Alguns passos atrás, um dos homens repassava as características do portador da caixa para a Seita, em breve a metade da cidade estaria alerta.
Os homens perderam Miguel de vista quando este dobrou em uma ruazinha entre dois prédios, os dois correram para tentar achá-lo, nesse ponto não fazia mais sentido disfarçar a perseguição. O sujeito mais forte não soube o que o atingiu, mas era algo muito pesado e veio do alto, desmaiou. O segundo homem olhou para cima e identificou Miguel de tocaia no parapeito de uma janela, então sacou a arma, mirou, atirou... errou. No momento em que viu a arma, Miguel pulou para dentro da casa a tempo de salvar sua vida. Dentro do recinto houve a gritaria típica de alguém que vê um estranho invadindo sua casa, mas o estranho não se demorou muito, apenas pegou o sanduíche que estava em cima da mesa da cozinha e colocou-o no bolso, lanchinho para viagem. Miguel saiu pela porta da frente do apartamento, encaminhando-se para a saída do prédio.

 No portão, encostado, estava um de seus perseguidores.  Miguel agiu sob a proteção do elemento surpresa, ele correu em direção ao homem e jogou todo o seu peso para cima do sujeito, este, por sua vez, caiu no chão e rolou as escadas que separava a calçada da rua e o portão do prédio. Nesse momento, Miguel entrou na calçada e desapareceu em meio à multidão, essa foi por pouco.
 
 Algumas horas mais tarde, Miguel estava sentado nos rochedos do litoral da cidade. Ele saboreava o pão que havia roubado no apartamento mais cedo e olhava para a caixinha de veludo. Uma avassaladora curiosidade tomava conta dele naquele momento. Sentia muita vontade de abrir o pequeno objeto e desvendar seus segredos, mas algo que ele lembrava de ter visto nos olhos do velho o impedia. Ele escutava o som das ondas se chocando contra as pedras e fechava os olhos quando a água salgada respingava em seu rosto, ao longe havia um grupo de jovens brincando na areia, gritando e se divertindo. O mundo parecia tão normal naquele lugar que Miguel sentiu vontade de ficar ali para toda a eternidade, não queria pensar no que tinha de tão importante naquela simples caixinha que fizera um homem tentar matá-lo para tê-la. Mas ele sabia que se quisesse sobreviver, teria que pensar a respeito. Será que haveria mais gente atrás do objeto? Quem eram os seus perseguidores? E o velho que dera a caixa para ele? O que significava aquilo tudo? Eram perguntas sobre as quais Miguel começou a se questionar, porém, para a sua infelicidade, uma só foi respondida: havia mais gente atrás do objeto e, pelo visto, sabiam que estava em seu poder. A resposta veio quando o rapaz submergiu de seus devaneios e flagrou um dos jovens que estavam brincando na praia apontando para ele. Ao lado do garoto estava um homem alto, muito magro, de aparência sinistra. Miguel nunca havia visto aquele homem, mas, pelo modo como ele saiu correndo em sua direção, deu para saber que não era ninguém tentando ajudar, aliás, nunca era alguém tentando ajudar.

 How many roads must a man walk down before you can call him a man How many roads must a man walk down before you can call him a man?… Em algum lugar tocava Bob Dylan, talvez apenas na cabeça de Miguel, ele precisou pular no mar, não havia para onde correr…How many seas must a white dove sail before she sleeps in the sand?... O estranho sinistro entrou no mar também. Miguel nadou o mais rápido que pôde para longe das pedras e para o lado oposto ao do homem... Yes, and how many times must cannonballs fly before they're forever banned?... Atrás, o perseguidor estava quase chegando aos rochedos quando uma grande onda se formou e o arremessou contra as pedras... The answer, my friend, is blowin' in the wind, the answer is blowin' in the wind… Miguel chegou ao outro lado muito cansado, jogou-se na areia e se permitiu 10 segundos de descanso, depois de ter notado o que acontecera com o homem que estava em seu encalço.

 A figura completamente encharcada não chamava muita atenção, as pessoas estavam muito ocupadas com suas próprias vidas. Miguel seguia agora para bem longe da praia, procurava um local para se esconder. De repente passou a desconfiar de cada transeunte que esbarrava com ele na rua, estava paranoico. Sentou-se na beirada da calçada tentando se acalmar, não sabia o que fazer, onde acharia um lugar para se esconder? O sol já estava abaixando no horizonte e logo a noite chegaria, porém sua missão acabaria somente um pouco antes do amanhecer, portanto ainda faltavam muitas horas. Foi então que ocorreu-lhe a ideia: poderia passar algum tempo na biblioteca da cidade, logo teria que achar outro lugar, mas pelo menos por algumas horas poderia ficar lá.

 Miguel levantou-se da calçada e seguiu rumo ao prédio da biblioteca. Por lá, pegou alguns livros e passou o tempo, já era tarde quando a bibliotecária disse que teria que encerrar o expediente. Ao sair do local, a noite solene já havia se lançado sobre a cidade, o trânsito de pessoas havia diminuído o que deixava Miguel ligeiramente preocupado, não teria mais como se misturar tão facilmente.

 Dessa maneira, escolheu as sombras, ficou vagando a noite inteira atrás de um local para ficar, mas não importava onde ele se acomodasse, sempre tinha a impressão que o achariam. Foi desse modo que a figura de meia idade, com um sobretudo surrado e cabelos desgrenhados chegou na velha construção. Depois de horas e horas andando aleatoriamente e se escondendo, não era a toa que estava tão cansado.

 Assim, às 4:30 da manhã, Miguel abriu a caixinha preta de veludo, pesada demais para o seu tamanho. De lá de dentro saiu uma luz pálida, quase infeliz. Ele não entendeu o que aquilo significava até que uma voz que mais parecia um delírio lhe falou:

- Miguel... Você me libertou. Sabe, algumas pessoas más me aprisionaram... adivinhe, elas não queriam morrer. Ah! Onde estão meus modos? Muito prazer, eu sou a Morte.

 O pobre homem encarou a luz pálida que aos poucos tomava a forma de uma bela mulher. Miguel não sabia o que falar, estava simplesmente estupefato, aquilo era possível? Aprisionar a morte? A luz emitiu um risinho melódico e disse:

- Sim, meu caro, é possível aprisionar a morte, muito difícil, mas não impossível. Ah o meu cárcere trouxe alguns probleminhas que terei que resolver. Ah Miguel, o seu enigma está resolvido, descobriu o que tinha dentro da caixa, está lúcido, como se estivesse para morrer. Desculpe, mas terei que leva-lo, alguém lúcido assim poderia trazer e ter alguns problemas. Mas não se preocupe, será bem melhor do que sobreviver.

 A Morte caminhou para perto de Miguel e sentou-se ao seu lado, evolveu-lhe em um abraço carinhoso, estendeu suas asas e levou o homem para onde nenhum ser vivo poderia segui-lo.  
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